
O primeiro foco de gripe aviária em uma granja comercial do Rio Grande do Sul, confirmado em 16 de maio de 2025, reacendeu alertas sanitários em todo o país. O caso foi registrado em Montenegro, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e envolveu cerca de 17 mil aves. Desde então, as autoridades sanitárias adotaram medidas rigorosas de contenção e monitoramento, incluindo o abate dos animais, desinfecção da propriedade e eliminação de ovos.
Nos dias seguintes, o Estado decretou emergência zoossanitária e instituiu barreiras sanitárias, que foram substituídas por fiscalizações móveis em 30 de maio, diante da ausência de novos casos em granjas comerciais. Apesar disso, um novo foco foi identificado em uma ave silvestre da espécie joão-de-barro, também em Montenegro, o que reforça a necessidade de vigilância permanente. Um caso suspeito em Anta Gorda foi posteriormente descartado.
A gripe aviária é causada pelo vírus Influenza A, sendo o subtipo H5N1 um dos mais perigosos devido ao seu alto poder de transmissão e letalidade entre aves. A doença pode afetar aves silvestres e domésticas e, em casos raros, infectar humanos em contato direto com animais doentes ou superfícies contaminadas. O consumo de carne de frango e ovos segue seguro, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.
O impacto econômico é significativo: 24 países chegaram a impor restrições à importação de carne de aves brasileira após o surto. Nesse cenário, a atuação coordenada de profissionais da Biologia torna-se fundamental para conter a disseminação da doença e preservar a saúde pública e a economia.
“A atuação desses profissionais é essencial para manter o país protegido, tanto do ponto de vista sanitário quanto econômico. Biossegurança, vigilância e informação são conceitos-chave”, afirma Paulo Augusto Esteves, biólogo, pesquisador da Embrapa e doutor em Virologia Animal. Segundo ele, o vírus H5N1 pode causar mortalidade de até 100% nas aves infectadas, exigindo respostas técnicas rápidas.
Denise Cardoso, bióloga, médica veterinária e conselheira do CRBio-03, reforça a importância da atuação integrada nas granjas. “Esses profissionais contribuem especialmente na gestão da qualidade, garantindo o controle dos processos de produção, higiene e prevenção de riscos”, afirma. Ela também destaca a importância da educação sanitária: “É essencial promover a conscientização sobre zoonoses e formas de transmissão. O uso correto de EPIs, a higienização de veículos e ambientes e a orientação das equipes são medidas que salvam vidas.”
O CRBio-03 reforça a importância de reconhecer a atuação técnica e estratégica dos profissionais da Biologia em situações de emergência sanitária como a atual. Do monitoramento laboratorial à educação pública, passando pela gestão de biossegurança e investigação epidemiológica, os biólogos estão na linha de frente da resposta às zoonoses. Seu trabalho é essencial para garantir segurança alimentar, bem-estar coletivo e proteção ambiental.


