Mulheres na Biologia: Daiana Schwengber

“Apresentar escritoras e pesquisadoras mulheres, hoje presentes em todas as áreas, pode ser uma alternativa para inspirar mais meninas após tantos anos de predominância e valorização masculina em prêmios e publicações”, avalia a Bióloga Daiana Schwengber, Mestra em Saúde e Desenvolvimento Humano e Doutoranda em Memória Social e Bens Culturais.

Segundo dados apresentados no World Economic Forum Annual Meeting de 2018, o gênero feminino recebe 74,5% do salário dos homens ocupando os mesmos cargos. Apesar disso, para Daiana, mulheres possuem muito mais jornadas de trabalho, formais e informais, sendo três não remuneradas: cuidados domésticos, maternidade (para aquelas que optam), e militância, com destaque para a última. “A militância é uma jornada de trabalho invisível, porém acredito que se não realizarmos esta tarefa de fazer com que outras mulheres cheguem a um congresso e se perguntem ‘Será que só homens são bons neste assunto?’, nunca teremos nosso trabalho reconhecido, nunca ocuparemos um espaço que também é nosso e consequentemente, outras mulheres não se sentirão capazes disso”, explica.

Para a Bióloga, ainda que mereça todos os espaços, a mulher encontra mais obstáculos para ocupar os lugares onde deveria estar presente. “Faz-se necessário falar sobre isso na academia, em mesas de congressos, na política, na gestão de grandes empresas, mas para que isso aconteça, mais um turno de trabalho nos é exigido, mais pesquisas, mais encontros e mais luta”, complementa.

Cofundadora da Apoena Socioambiental, empresa autogestionária composta por três mulheres especialistas de áreas interdisciplinares que elaboram e executam projetos, Daiana afirma que sua inspiração não vem apenas de uma mulher, e sim de todas que passam por ela. Por meio do trabalho a profissional busca dar ainda mais oportunidades para que outras meninas ocupem espaços de força, liderança e de acesso à ciência de forma mais popular e possível. “Poder fazer escolhas é um privilégio, e sinto-me privilegiada em estar trabalhando em algo que faça sentido, colocando em prática projetos e serviços responsáveis, de impacto e de transformação. Nada mais justo que agradecer este privilégio e devolver isso de alguma maneira para o universo. Se não foi para isso que me formei na “ciência da vida”, não saberia dizer para o que foi”, encerrou.

Acesse o Lattes da Bióloga através do link: http://lattes.cnpq.br/7127175091713322

Foto: Arquivo Pessoal