Maior encontro da América Latina voltado para o mercado de controle de vetores e pragas urbanas, a EXPOPRAG chega a mais uma edição, que acontece de quarta-feira (28/09) até sexta-feira (30/09), em São Paulo, no Centro de Convenções Frei Caneca.

O evento é realizado a cada dois anos pela Associação dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas (APRAG) e, nesta edição, conta mais uma vez com o patrocínio do Sistema Conselho Federal e Conselhos Regionais de Biologia (Sistema CFBio/CRBios) por se tratar de uma atividade muito forte para profissionais Biólogos.

O tema escolhido para a EXPOPRAG Feira e Congresso 2022 é “Somos essenciais”, com objetivo de reafirmar a importância do setor para a melhoria da qualidade de vida da sociedade, já que envolve atividades vitais para a segurança de ambientes corporativos e residenciais.

Serão discutidos no evento assuntos relacionados à segurança alimentar, ao setor educacional, ao setor hoteleiro, à saúde pública e ao desenvolvimento sustentável. Os conteúdos vão desde o controle do mosquito Aedes aegypti até estruturas construtivas e o controle de pragas, otimização do CIP/MIP, ferramentas de gestão, novas tecnologias, regulação do setor, marketing, inspeção técnica, entre outros.

Durante o encontro, o Sistema CFBio/CRBios realizará o 3º Workshop de Biólogos no Controle de Vetores e Pragas Sinantrópicas com o objetivo de discutir a situação da atividade, as oportunidades de negócios geradas após a pandemia de Covid-19, principalmente na área da Saúde, a partir de novas tecnologias e inovações que estão sendo desenvolvidas e aplicadas para a melhoria da atuação dos profissionais.

Com uma programação extensa, a EXPOPRAG contará ainda com feira de expositores, palestras, cursos, lançamento de produtos, de equipamentos e de serviços visando ao controle de vetores e pragas urbanas.

Confira, a seguir, a programação do workshop realizado pelo Sistema CFBio/CRBios:

3º Workshop de Biólogos no Controle de Vetores e Pragas Sinantrópicas 
28/09/2022

14h às 14h30
ABERTURA E BOAS-VINDAS
Profa. Dra. Maria Eduarda de Larrazábal (CRBio 019194/05-D)
Presidente do Conselho Federal de Biologia.

14h30 às 15h15
CONFERÊNCIA
“O OLHAR CLÍNICO DO BIÓLOGO NO CONTROLE DE VETORES E PRAGAS URBANAS”
– Débora Rocha Atroch (CRBio nº 369320/05-D)
Presidente da Associação Pernambucana de empresas controladoras de pragas; Conselheira do CRBio-05.

15h15 às 16h45
MESA REDONDA
“OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS NA ERA PÓS-PANDÊMICA NA ÁREA DE CONTROLE DE VETORES E PRAGAS”
– Clair Aparecida Viecelli (CRBio nº 50.271/07-D)
Especialista em Controle Biológico e Biologia Sanitária; Responsável Técnica e Sócia proprietária da Dedetizadora Brio Limp Ltda e da Unidome Saúde Ambiental Ltda.

– Dr. Carlos Frederico Loiola (CRBio 008871/04-D)
Presidente do CRBio-04; Diretor Técnico e Responsável Técnico da Vida Ambiente Service.

– Bernardo Servolo dos Santos (CRBio nº 60.941/02-D)
Especialista em manejo de Fauna; Responsável Técnico pela empresa Ayres Desinsetizadora Ltda.

– Sérgio dos Santos Bocalini (CRBio nº 23.668/01-D) –  MEDIADOR
Especialista em Controle de Vetores e Pragas Sinantrópicas – Vice Presidente Executivo da APRAG

16h45 às 17h
DEBATE

 

Do CRBio-03, foram representar e trabalhar no evento a Presidente Dra. Clarice Luz e a Fiscal Bióloga Daniella Braga.

 
 
 
 
 

O CRBio-03 enviou ofício à Prefeitura Municipal de Nova Santa Rita e conseguiu a retificação do edital para inclusão do Biólogo Licenciado para concorrer à vaga de Biólogo. Antes, a prefeitura só estava aceitando o Bacharelado, agora, inclui o Bacharelado e Licenciado em Ciências Biológicas, História Natural e o Licenciado em Ciência com habilitação em Biologia, como manda a legislação federal.

 

Todas as formações acima se com o registro no CRBio são Biólogos!

 

Para acessar o edital para essa vaga e outras: https://novasantarita.atende.net/cidadao/pagina/processos-seletivos-2022

 

 

 

A Prof. Dra. Sabine Righetti, pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, estuda o fenômeno das fake news em Ciência, que se alastraram no Brasil e no mundo nos últimos dois anos com velocidade comparável à do novo coronavírus.

Segundo Righetti, as fake news são produzidas e disseminadas por estruturas profissionais financiadas por grupos frequentemente com interesses econômicos e políticos. Notícias falsas que negam a existência da pandemia, por exemplo, estimulam as pessoas a continuar com a mesma rotina de vida. O objetivo é manter a roda da economia girando e evitar as consequências políticas negativas de uma desaceleração da atividade econômica.

“As fake news seguem uma receitinha de bolo: ‘olha aqui, estão mentindo para você... a verdade é essa aqui.’ Elas provocam ódio e, consequentemente, engajamento. Já o jornalismo é aquela coisa chata, tem uma informação, um gráfico, não gera uma grande emoção. Há estudos que indicam que as fake news circulam 70% mais do que notícias jornalísticas, porque despertam sentimentos nas pessoas. É uma briga difícil e o jornalismo está perdendo”, explica a Dra. Sabine Righetti, que é professora de Jornalismo Científico na Unicamp e escreve análises quinzenais para Folha de S. Paulo sobre políticas de Ciência.

Righetti ressalta que o jornalismo científico no Brasil é relativamente novo – as primeiras editorias de Ciência foram criadas nos anos 90 – e cresceu e amadureceu nas últimas duas décadas, acompanhando a virtuosa expansão da Ciência brasileira no período.

De acordo com a plataforma Scimago, que reúne métricas de mais de 20 mil periódicos científicos indexados na base de dados Scopus, o número de artigos de brasileiros publicados em revistas científicas aumentou de 16.610 em 2001 para o recorde de 100.006 em 2020. O Brasil ocupa a 13ª posição no ranking mundial de produção científica de 2020.

Sabine Righetti atribui a elevação ao aumento dos investimentos em Ciência no Brasil a partir do início do século até o pico em 2013 e 2014. Depois desse período, os investimentos regrediram drasticamente e a Ciência brasileira entrou em crise, ainda que o número total de publicações de artigos continue a subir, como reflexo dos investimentos nos anos anteriores.

Em paralelo, o setor jornalístico no Brasil e no mundo enfrenta uma crise estrutural de décadas, que levou ao fechamento de empresas e veículos tradicionais.

“O jornalismo científico brasileiro hoje enfrenta uma crise na Ciência brasileira, a crise no próprio jornalismo e o fenômeno das fake news”, descreve.

Com o intuito de dar visibilidade para a Ciência nacional no jornalismo brasileiro, Righetti e a biomédica Dra. Ana Paula Morales, que conheceu no Labjor, fundaram em fevereiro de 2019 a Agência Bori. O nome é uma homenagem a Carolina Martuscelli Bori, primeira presidente mulher da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). 

Inspirada no modelo da agência norte-americana EurekAlert!, a Bori funciona como uma vitrine para a imprensa de artigos publicados em periódicos científicos brasileiros. A agência tem uma parceria com a Biblioteca Eletrônica Científica Online (SciELO) (em inglês, Scientific Electronic Library Online), um projeto da Fapesp que reúne artigos de revistas científicas do Brasil e de outros países da América Latina, além de Portugal e África do Sul.

Dos cerca de 600 artigos publicados na SciELO semanalmente, a curadoria da Bori escolhe dois ou três para divulgar para a imprensa antes da sua publicação. Com autorização dos periódicos e autores, a equipe da Bori prepara um resumo explicativo do artigo e envia com o texto completo e o contato do autor (para entrevistas) para os cerca de 1.800 jornalistas cadastrados gratuitamente na agência. O objetivo é permitir que os resultados das pesquisas cheguem ao público por meio dos veículos de comunicação de massa.

O jornalismo cumpre um papel crucial na divulgação de informações cientificamente fundamentadas para a população. Mas o combate à máquina de desinformação das fake news requer o envolvimento de outras esferas. Diversos países, inclusive o Brasil, discutem a regulação das redes sociais e aplicativos de mensagens que difundem informações falsas, como o Telegram, Whatsapp, Youtube, Twitter, Facebook e Instagram, entre outros.

“As empresas alegam que são só distribuidoras e os opositores à regulação se valem do discurso da liberdade de expressão. Esse é um grande debate que ainda vai demorar anos”, prevê Righetti.

Fonte: CRBio-01

 

Aconteceu, na última quarta (10/08) e quinta-feira (11/08), na sede do Conselho Federal de Biologia, em Brasília, o Fórum das Comissões de Formação e Aperfeiçoamento Profissional (CFAPs) do Sistema CFBio/CRBios.

No primeiro dia de evento, foi abordada a atuação do biólogo na Educação, como responsável técnico. Também foi debatida a definição de carga horária dos cursos de Ciências Biológicas e entendimentos sobre a Resolução CFBio nº 300/2012, que estabelece os requisitos mínimos para o Biólogo atuar em pesquisa, projetos, análises, perícias, fiscalização, emissão de laudos, pareceres e outras atividades profissionais nas áreas de Meio Ambiente e Biodiversidade, Saúde e Biotecnologia e Produção. Já no segundo dia, a pauta do fórum incluiu questões sobre a classificação das áreas de atuação e atividades profissionais por categorias e as diretrizes para controle da atuação profissional.

A reunião contou com a presença da presidente do CFBio, Maria Eduarda Lacerda de Larrazábal, do vice-presidente do CFBio, Eliézer José Marques, da coordenadora da Comissão de Educação, Cristina Souza Motta, e do Conselheiro Santiago Valentim, que integra a Comissão de Legislação e Normas (CLN) do Conselho Federal. Também participaram integrantes das CFAPs e das Comissões de Orientação e Fiscalização do Exercício Profissional (COFEPs) dos Conselhos Regionais de Biologia.

Em sua fala, na abertura do fórum, a presidente do CFBio agradeceu a presença de todos e defendeu a importância da integração no Sistema CFBio/CRBios. “Desde o início, buscamos fazer uma gestão de trabalho coletivo, ou seja, envolvendo todos os Regionais, porque queremos um Sistema forte. E isso só é possível com todos integrados, atuando dentro de uma mesma linha de pensamento sobre o que é melhor para a nossa profissão, sempre respeitando as autonomias administrativas e financeiras de cada Regional”, ressaltou.

“Eu conto com todos vocês para esses dois dias de reunião, para que se possa realmente enriquecer essas discussões e, se for o caso, sair com algum documento que atenda ao nosso país e à nossa profissão”, concluiu a presidente do CFBio, colocando-se à disposição do grupo.

O vice-presidente do CFBio, Eliézer Marques, deu as boas-vindas e também desejou aos participantes um encontro produtivo. “Na última reunião das CFAPS, pude participar com vocês e foi muito intensa, interessante e produtiva. Que vocês consigam dar seguimento aos trabalhos e avançar bastante nesses próximos dois dias”, disse.

Segundo a coordenadora da CFAP do CFBio, Lídice Arlego Paraguassú, a ideia de realizar o fórum surgiu da necessidade de debate conjunto entre fiscalização, educação, formação e aperfeiçoamento profissional. “A gente viu a necessidade de ter esse encontro, porque tem assuntos que tocam a CFAP e a fiscalização. Então, a ideia desse Fórum é convocar os coordenadores das CFAPs e das COFEPs dos Regionais para avançarmos nas discussões. É uma alegria muito grande ter todo mundo aqui”, afirmou.

Representando o CRBio do Rio Grande do Sul, participou do Fórum o Biólogo Jairo Luis Candido, Coordenador da CFAP.

 

 

 

Bióloga Giliane Trindade explica por que surto atual se difere do SARS-CoV-2, mas ressalta motivos para estarmos alertas

Maurizio de Angelis/Science Photo Library

 

O mundo ainda lidava - e continua lidando - com os efeitos devastadores de uma pandemia desencadeada em 2020 por um vírus zoonótico, o SARS-CoV-2, quando em maio deste ano um novo alerta surgiu no Reino Unido: pacientes infectados com monkeypox, doença causada por vírus homônimo do gênero Orthopoxvirus, que também abarca os vírus da varíola humana, da varíola bovina e o vaccinia.

De lá para cá os números cresceram exponencialmente (são mais de 16 mil casos confirmados, de acordo com o último boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde), a doença alcançou escala global e as primeiras mortes foram confirmadas, inclusive uma no Brasil. Imediatamente surgiu a dúvida e o temor: estamos diante de uma potencial nova pandemia? 

Segundo a bióloga Giliane de Souza Trindade (030569/04-D), doutora em Microbiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e professora do Instituto de Ciências Biológicas da instituição, é preciso estar alerta, mas não vivenciaremos com esse vírus uma situação semelhante à da Covid-19. "Pelo incremento no número de casos, pode ser que a disseminação do monkeypox se torne um evento pandêmico, mas não com o impacto disruptivo do SARS-CoV-2", afirma. Giliane, que atua principalmente nos estudos de ecoepidemiologia de viroses emergentes e integra a Câmara Pox do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações - grupo técnico temporário formado pelo órgão para monitorar o avanço dos casos -, explica que uma das principais diferenças entre os dois vírus está no potencial de transmissibilidade. Enquanto no caso do novo coronavírus o contágio ocorre pelo ar, por meio de partículas suspensas, a principal forma de contágio do monkeypox é pelo contato direto com infectados, especialmente com as lesões cutâneas, o que pode facilitar a quebra da cadeia de transmissão.

Outro ponto ressaltado pela pesquisadora é o fato do monkeypox ser um vírus já conhecido há muitas décadas. "Estamos tratando de um vírus identificado pela primeira vez em 1958, em um grupo de primatas em um biotério na Dinamarca. Então já existe um conhecimento acumulado que não tínhamos em relação à Covid-19, inclusive com formas de intervenção, como vacinas e antivirais, ainda que não estejam disponíveis em larga escala", explica. 

 

Vacinação

Por se tratar de um vírus da mesma família da varíola humana (Poxviridae), análises preliminares indicam que as pessoas que receberam o imunizante nas décadas de 1960 e 1970 estão protegidas contra o monkeypox. Contudo, como a varíola humana foi considerada erradicada em 1980 e as campanhas de vacinação foram suspensas desde então, é grande o contingente populacional que nunca foi imunizado.  

Apesar disso, Giliane avalia como remota a necessidade de uma vacinação em massa nesse momento. "Em caráter emergencial devemos cercar a cadeia de transmissão realizando um bloqueio vacinal nos contatos dos infectados e em grupos mais vulneráveis. Mas quando penso no potencial de emersão e circulação dos Orthopoxvirus, acredito que a discussão sobre uma futura vacinação global é bem-vinda", salienta.

 

 

Surgimento

Conforme já mencionado, o monkeypox foi identificado pela primeira vez em macacos levados à Dinamarca para estudos, em 1958. Na década de 1970 a doença foi descrita pela primeira vez em seres humanos, em uma criança na República Democrática do Congo. A partir de então, casos esporádicos começaram a ser registrados na bacia do Congo e, posteriormente, na África Ocidental, sobretudo em jovens e crianças, que não haviam sido imunizados contra a varíola humana. 

No início dos anos 2000 começou a ocorrer um incremento no número de casos, mas ainda sempre em conexão com ambientes silvestres, em comunidades que viviam em bordas de floresta e em contato direto com uma ampla gama de mamíferos hospedeiros. 

Foi a partir de 2010, então, que se observou uma alteração no perfil epidemiológico do vírus, que alcançou grandes áreas urbanas na África. "Daí em diante não era difícil antever que o vírus escaparia de sua região endêmica e se espalharia, o que se deu particularmente a partir de 2017", relata Giliane. "Ao analisarmos historicamente, não dá para se falar em grande surpresa, especialmente quando tratamos de patógenos emergentes. São ocorrências que estão intimamente ligadas com nossa estrutura de vida, com o intercâmbio populacional, com a forma com que interagimos com o ambiente", complementa.  

Segundo a bióloga, já é muito bem caracterizado como as alterações no uso da terra, a expansão agropecuária e as mudanças climáticas são fatores de emergência de patógenos. "As áreas do planeta que possuem a maior biodiversidade desses organismos estão na faixa tropical do globo, regiões que concentram países com economias menos desenvolvidas, em que existe um menor grau de fiscalização e mecanismos pouco eficientes de proteção das áreas naturais... está tudo intimamente interconectado". 

 Por todo esse contexto e pela gigantesca capacidade de mutação dos vírus, Giliane afirma ser tarefa difícil tentar prever qual o próximo vírus com o qual a humanidade terá que lidar, mas que o melhor caminho é monitorar áreas prioritárias e táxons específicos: "devemos concentrar nosso olhar nas áreas tropicais do planeta e especialmente em mamíferos que possuam uma maior proximidade filogenética conosco, como roedores, quirópteros e primatas não humanos". 

Em todo esse cenário, o papel dos biólogos se mostra, uma vez mais, imprescindível: “desde a questão da preservação ambiental, passando pelas pesquisas com esses patógenos, pelo desenvolvimento de ferramentas de prevenção e de testes diagnósticos, pela transferência de conhecimento e divulgação científica, até finalmente chegar na elaboração de políticas públicas. Os biólogos se inserem totalmente nessa questão”, conclui Giliane. 


Fonte: CRBio-04